Nice Lopes

Bem-vindo ao meu "novo-velho" mundo!

Edgar Allan Poe e Tim Burton sempre foram influências marcantes em minha vida. Lembro-me que, aos 10 anos, tive a oportunidade de ler a biografia de Edgar Allan Poe, por culpa do meu pai que havia recém-adquirido uma dessas enciclopédias vendidas de porta em porta. Ao ler a história de vida de Poe, deparei-me com um homem melancólico, especial e incompreendido, como eu, naquela tenra idade, e me senti profundamente tocada. Mas, como dizer à minha mãe que havia me encantado por um escritor alcoólatra, autor de contos de terror? Acredito que Poe tenha sido meu primeiro amor platônico, rs. Mas, somente na adolescência, talvez por uma ironia do destino, eu tenha reencontrado esse meu “amor” de infância. Uma dedicada professora de inglês, na tentativa de enriquecer suas aulas, trazia um minigravador e algumas fitas cassetes para nos brindar com contos de Poe, narrados por Vincent Price e majestosamente encenados como novelas de rádio. “The Black Cat”, "The Cask of Amontillado”, "The Mask of the Red Death”, soava como música aos meus ouvidos. E foi, também, nesta época, que conheci “Edward – Mãos de Tesoura”, meu primeiro contato com a obra de Tim Burton. Então, tudo isto sempre esteve aqui dentro de mim, meio que escondido, com vergonha de se mostrar. Eu guardava tudo, todas as influências, o lado melancólico, o lirismo, a fantasia, acredito que ocultava até de mim mesma. O termo “bem-vindo ao meu novo-velho mundo” é a tradução desta tentativa equivocada de esconder quem realmente eu sou. “novo” para quem ainda não conhecia este meu "dark side" e “velho” porque ele sempre esteve aqui.